Luedji Luna, Urias, Rachel Reis e Ajulliacosta chegam ao festival de Ribeirão Preto
O João Rock 2026, edição que já se tornou referência para a cena musical brasileira, anuncia a estreia de quatro vozes femininas que vêm redefinindo o panorama sonoro do país. Luedji Luna, Urias, Rachel Reis e Ajulliacosta subirão ao Palco Aquarela, um espaço criado para ampliar a representatividade de mulheres na música, e prometem transformar a experiência de mais de 65 mil espectadores que já garantiram ingresso com antecedência.
A escolha dessas artistas reflete a proposta do festival de valorizar a diversidade criativa que pulsa nas ruas, nos estúdios e nas praças do Brasil. Segundo Marcelo Rocci, organizador do evento, a presença de cada uma delas amplia as possibilidades de encontro entre diferentes gerações e estilos, reforçando o papel do João Rock como laboratório de novas narrativas sonoras.
João Rock 2026: um palco para a pluralidade sonora
Desde sua primeira edição, em 2002, o festival tem se destacado por reunir desde o rock clássico até o rap, reggae e MPB, criando um mosaico cultural que espelha a própria complexidade do país. Este ano, a iniciativa de abrir o Palco Aquarela, idealizado por Luit Marques, reforça o compromisso de dar visibilidade a artistas que, historicamente, enfrentam barreiras de gênero nos grandes eventos.
Com a venda de ingressos esgotada três meses antes da data oficial, o João Rock demonstra que o público está sedento por shows que fogem do padrão comercial. A expectativa em torno das quatro novas vozes não se limita ao simples fato de serem mulheres; trata‑se de reconhecer a riqueza de suas trajetórias, que atravessam MPB, pop eletrônico, rap e fusões regionais.
Luedji Luna: a MPB em versão acústica
Luedji Luna, natural de Salvador, chega ao festival carregada de um projeto que mistura intimidade e força poética. O “Acústico Luedji Luna” traz releituras de seis faixas marcantes de sua discografia, acompanhadas de seis composições inéditas que privilegiam a voz e a narrativa, num formato que remete a pequenos cafés de música ao vivo.
Vencedora do Grammy Latino 2025 na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro‑Portuguesa, Luna tem usado sua plataforma para discutir ancestralidade, espiritualidade e feminismo. No João Rock, a artista espera que o público sinta a energia de um show que, segundo ela, “nos faz dançar, namorar, emocionar e rir”, reforçando a conexão entre artista e plateia em um ambiente de celebração coletiva.
Urias: do pop eletrônico ao afro‑surrealismo
Oriunda de Minas Gerais, Urias ganhou notoriedade com o álbum “FÚRIA” (2022) e consolidou seu nome ao lançar “HER MIND” (2023), cantado inteiramente em inglês. Seu último trabalho, “CARRANCA” (2025), mergulha em uma estética afro‑surrealista, trazendo referências a orixás, deuses e figuras terrenas, enquanto mescla pop, eletrônico e R&B.
No João Rock, Urias apresentará uma performance que ultrapassa a música, incorporando moda, artes visuais e performance corporal. Essa abordagem multidisciplinar reflete a tendência de artistas contemporâneas que buscam romper fronteiras entre gêneros e criar experiências imersivas para o público.
Rachel Reis – a Sereiona e a fusão de ritmos nordestinos
Rachel Reis, conhecida como “Sereiona”, tem construído sua identidade sonora a partir de uma mistura ousada de samba‑reggae, arrocha, reggae, pagode e samba‑jazz. Seu álbum de estreia, “Meu Esquema” (2022), rendeu indicações ao Grammy Latino nas categorias de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, enquanto “Divina Casca” (2025) aprofundou a fusão entre MPB, ijexá e eletropop, garantindo nova indicação, desta vez ao Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB.
Recentemente, a cantora lançou o projeto audiovisual “Ao Vivo da Sereiona”, que reinterpreta faixas de EPs e álbuns anteriores em um formato intimista pensado para os fãs. No festival, Rachel pretende levar ao público a energia de suas raízes baianas, ao mesmo tempo em que demonstra a versatilidade de seu repertório, capaz de transitar entre a pista de dança e o canto mais reflexivo.
Ajulliacosta: a voz do rap feminino emergente
Representando a nova geração do rap feminino, Ajulliacosta vem de Mogi das Cruzes e ganhou destaque com o álbum “Brutas Amam, Choram e Sentem Raiva” (2023). O trabalho, marcado por letras contundentes e batidas agressivas, consolidou seu nome na cena underground, e o segundo álbum, “Novo Testa” (2025), ampliou ainda mais sua projeção ao abordar temas de empoderamento e resistência.
Ao subir ao Palco Aquarela, Ajulliacosta traz ao João Rock a energia crua do rap, mas também a sensibilidade de uma artista que entende a importância de representar mulheres em um espaço historicamente dominado por homens. Sua presença sinaliza que o festival está aberto a novas narrativas, reforçando a ideia de que a música de rua tem espaço para todas as vozes que desejam ser ouvidas.
