MC Hariel transforma teatro em baile funk na estreia brasileira do Red Bull Symphonic

Auditório Simón Bolívar, em São Paulo, recebe apresentação histórica com a participação de grandes nomes do funk.
10 de agosto de 2026
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MC Hariel transforma teatro em baile funk na estreia brasileira do Red Bull Symphonic
Créditos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

MC Hariel fez história neste sábado (8) ao protagonizar a estreia brasileira do Red Bull Symphonic, um projeto que levou o funk paulista para dentro de uma experiência sinfônica inédita. Com ingressos esgotados, o Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, foi transformado em um grande baile funk.

Ao lado do maestro Xuxa Levy e de 56 músicos da chamada Orquestra de Fluxo, criada especialmente para o espetáculo, Hariel revisitou diferentes períodos do funk paulista em uma apresentação dividida em seis atos. O show conectou referências da música clássica, da cultura dos bailes e da identidade de São Paulo com momentos importantes da trajetória do artista.

A noite também contou com participações de MC Don Juan, Neguinho do Kaxeta, Tasha & Tracie, MC Menor da VG, MC Ktrine e SUBMUNDO 808, além de outras participações previstas no repertório apresentado.

MC Hariel conduz viagem pela história do funk paulista

O espetáculo começou com o ronco e o tradicional “randandã” das motos de Hariel, estabelecendo desde os primeiros minutos que aquela não seria uma apresentação sinfônica convencional.

A narrativa percorreu diferentes fases da carreira do artista e do próprio funk paulista, passando pela Baixada Nascente, homenagens a MC Daleste, funk ostentação, momentos marcantes da trajetória de Hariel e a chegada das novas gerações.

Mais do que reorganizar músicas para uma formação sinfônica, a apresentação buscou colocar no palco memórias, territórios e personagens que ajudaram a construir a história do funk em São Paulo.

Neguinho do Kaxeta representa a Baixada Santista

Um dos encontros do espetáculo aconteceu com Neguinho do Kaxeta, artista ligado à Baixada Santista, região fundamental para a história do funk paulista.

Ao lado de Hariel, Neguinho participou de uma releitura de “Exemplos” e “Louco e Sonhador”, conectando diferentes gerações e trajetórias dentro do movimento.

A escolha dos convidados seguiu uma lógica apresentada pelo próprio Hariel: reunir artistas importantes para sua história e para a construção do funk, independentemente de números ou do momento de popularidade.

A Red Bull deu pra gente a oportunidade de apresentar artistas que foram importantes pra nossa história e pro movimento

MC Hariel

Segundo o artista, as participações foram escolhidas por seus significados dentro dessa trajetória.

Não é por hype, não é por fama, não é por número. Todas as participações têm um porquê

MC Hariel

Tasha & Tracie e MC Ktrine destacam legado feminino

O espetáculo também dedicou espaço à presença feminina na história do funk paulista.

MC Ktrine entrou em cena representando o legado de MC Menorzinha, enquanto Tasha & Tracie participaram de uma releitura de “Tang”, primeiro grande hit da dupla que utiliza um sample relacionado à funkeira.

O encontro apresentou uma conexão entre diferentes gerações, mostrando como referências do funk podem atravessar o tempo e reaparecer em novas linguagens.

Homenagem a MC Daleste

Outro momento de destaque aconteceu durante a interpretação de “Bachiana nº 5”, que serviu de introdução para “Mina de Vermelho”, de MC Daleste.

A apresentação também contou com a participação da bailarina clássica Patrícia Hellen, irmã de MC Felipe Boladão.

A escolha da obra de Daleste colocou um dos nomes mais marcantes da história do funk paulista dentro da proposta sinfônica do espetáculo.

MC Marks, MC Don Juan e Menor da VG

A apresentação continuou passando por diferentes momentos e vertentes do funk.

MC Marks levou ao palco o funk consciente e de superação com “Chá de Vida”. Já MC Don Juan representou uma fase de expansão do funk paulista para novos públicos e espaços, enquanto MC Menor da VG apareceu relacionado à própria história de Hariel e aos encontros que contribuíram para sua trajetória.

Cada participação foi inserida dentro da narrativa construída para o espetáculo, reforçando a proposta de apresentar diferentes capítulos do movimento.

SUBMUNDO 808 transforma concerto em baile funk

Um dos momentos mais voltados à energia dos fluxos aconteceu com o bloco do SUBMUNDO 808.

A participação aproximou a formação sinfônica das batidas do mandelão, do funk de rua e do funk de favela. O repertório conectou “Bum Bum Tam Tam” a diferentes elementos da cena contemporânea, levando o público a dançar dentro do Auditório Simón Bolívar.

A proposta reforçou uma das características centrais do projeto: colocar instrumentos acústicos e eletrônicos dentro da mesma estrutura musical, sem tratar o funk apenas como um repertório adaptado para uma orquestra tradicional.

“Maçã Verde” encerra apresentação com grande coro

Para fechar o espetáculo, MC Hariel retornou ao palco com “Maçã Verde”, um dos principais sucessos de sua carreira.

Com suas dançarinas e um grande coro formado pelo público, o artista encerrou a apresentação revisitando uma música diretamente ligada à sua trajetória no funk paulista.

Na sequência, “Cai Lágrimas” reuniu os artistas novamente no palco, encerrando a apresentação com uma celebração coletiva.

Orquestra de Fluxo foi criada especialmente para o espetáculo

Para transformar o repertório de Hariel em uma apresentação sinfônica, o maestro Xuxa Levy desenvolveu do zero a chamada Orquestra de Fluxo.

A formação reúne violinos, violas, violoncelos, contrabaixo, harpa, piano, sopros, metais, percussão, coro e DJ.

O processo teve direção musical de Nave Beatz, reconstrução de aproximadamente 19 beats, participação de sete arranjadores e produção de cerca de 30 músicos, criando uma experiência única que une o funk à música clássica.

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