Juan Calvet denuncia censura da exposição de funk em SP

A mostra 'Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade', que recebeu cerca de 180 mil visitantes no Museu da Língua Portuguesa, foi encerrada em 31 de maio após campanha de políticos do PL e críticas de influenciadores.
21 de julho de 2026
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Juan Calvet denuncia censura da exposição de funk em SP

A exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade” foi encerrada prematuramente no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, após pressão de políticos ligados ao PL e críticas de influenciadores nas redes sociais.

O artista visual Juan Calvet, responsável pelas obras que compunham a mostra, classificou a decisão como censura do governo estadual e denunciou o uso de politicagem para silenciar a cultura do funk.

Pressão política e acusações de narcocultura

Nas semanas que antecederam o fechamento, o deputado estadual Tenente Coimbra acionou o Ministério Público, rotulando a exposição como “narcocultura” e alegando apologia ao tráfico. Influenciadores como Felipe Sertanejo, além dos parlamentares Letícia Aguiar e Lucas Pavanato, divulgaram vídeos acusando a mostra de glorificar o crime.

A campanha ganhou força nas redes, gerando um clima de intimidação que culminou na decisão do museu de encerrar a exposição em 31 de maio, antes do prazo previsto para agosto de 2026.

Reação do artista e da curadoria

‘Isso foi tirado de nós, a exposição Funk um GRITO DE OUSADIA E LIBERDADE! Foi censurada pelo Governo de São Paulo após sofrer uma série de ataques de influenciadores e políticos de extrema direita querendo seguidores para se eleger esse ano, SAFADOS, VAGABUNDOS, VIRA-LATAS, CANALHAS!’

Juan Calvet

Calvet publicou a mensagem acompanhada de imagens de suas obras, usando a tag “censura governo de são paulo”. Em nota, a curadora Renata Prado também condenou o encerramento antecipado, afirmando que se tratou de um ato de censura contra a liberdade de expressão artística.

‘O fim antecipado da mostra representa um ato de censura que fere a pluralidade cultural e o direito do público de acessar diferentes manifestações artísticas.’

Renata Prado

O Museu da Língua Portuguesa justificou a decisão alegando a necessidade de montar duas novas exposições, mas reconheceu que a mostra de funk permaneceu em cartaz por apenas seis meses, tempo médio das mostras temporárias do local.

Histórico da exposição e impacto cultural

Concebida originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), a exposição percorreu o Rio de Janeiro por um ano e meio antes de chegar a São Paulo. Também teve uma passagem pela França, onde recebeu elogios da crítica internacional.

Em São Paulo, a mostra atraiu cerca de 180 mil visitantes, tornando‑se a terceira exposição mais frequentada desde a reabertura do museu. O número demonstra o apelo do funk como expressão cultural urbana, capaz de mobilizar públicos diversos.

Desdobramentos na carreira de Juan Calvet

Além de denunciar a censura, Calvet aproveitou o momento para anunciar uma campanha de financiamento coletivo destinada a apoiar sua transição da ilustração digital para a pintura tradicional. O artista atribui a necessidade da mudança ao impacto da inteligência artificial, que, segundo ele, reduziu seu volume de trabalho como freelancer em 90% nos últimos dois anos.

“Quem é da área de arte, produção e tudo mais, de criação, tá ligado que as inteligências artificiais impactaram muito o nosso trabalho. 90% do trabalho acabou, mano. Não tem mais”, explicou Calvet em vídeo publicado nas redes.

Ele reforçou que não pretende incorporar a IA ao seu processo criativo, optando por retomar técnicas de pintura em tela como forma de garantir a sobrevivência profissional.

O caso reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade dos artistas diante de pressões políticas e tecnológicas, colocando em evidência a necessidade de políticas públicas que protejam a liberdade cultural.

Enquanto o museu prepara suas próximas mostras, a comunidade artística acompanha de perto os desdobramentos, aguardando possíveis ações judiciais ou manifestações de apoio que possam reverter a decisão e garantir a continuidade de projetos semelhantes no futuro.

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