Emicida, um dos nomes mais influentes do rap brasileiro, completa 41 anos nesta segunda-feira, 17 de agosto. Nascido Leandro Roque de Oliveira em São Paulo, o artista construiu uma trajetória que vai muito além das batalhas de freestyle, tornando-se uma referência no cenário musical nacional.
O rapper começou a se destacar na cena de batalhas de MCs na década de 2000, onde sua habilidade nas rimas improvisadas rapidamente o colocou em evidência. Em 2006, Emicida conquistou a Liga dos MCs, um marco que solidificou sua presença nas competições de freestyle, com Gil Metralha como vice.
A transição para a música gravada se deu de forma independente. Em 2008, lançou a faixa “Triunfo”, que se tornou um dos primeiros grandes marcos de sua carreira, ampliando seu alcance para além do circuito das batalhas. Em 2009, veio sua primeira mixtape, “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe…”, um projeto que circulou principalmente pelo boca a boca e ajudou a estabelecer Emicida como um dos principais nomes do rap independente.
Nos anos seguintes, sua produção musical se intensificou. Em 2010, lançou o EP “Sua Mina Ouve Meu Rap Também” e a mixtape “Emicídio”, que ampliaram sua discografia e sua presença na mídia. Em 2011, o projeto “Doozicabraba e a Revolução Silenciosa” preparou o terreno para seu primeiro álbum de estúdio.
O álbum “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, lançado em 2013, trouxe uma nova fase na carreira do rapper, com uma experimentação musical que aproximou o hip hop de diversas referências da música brasileira. Faixas como “Levanta e Anda” e “Crisântemo” se tornaram clássicos e ajudaram a estabelecer o álbum como um dos pilares de sua discografia.
Em 2015, Emicida lançou “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…”, um trabalho que expressou suas experiências durante uma viagem por Madagascar, Cabo Verde e Angola. O álbum abordou temas como identidade negra e desigualdade, e contou com participações de grandes nomes como Caetano Veloso e Drik Barbosa. O projeto foi indicado ao Grammy Latino e conquistou certificação de ouro no Brasil.
Em 2017, o rapper se uniu a artistas de Portugal para formar o projeto Língua Franca, reforçando sua capacidade de transitar por diferentes culturas dentro da música em língua portuguesa. Em 2019, com o álbum “AmarElo”, Emicida deu um passo ainda mais audacioso, conectando música, memória e cultura negra brasileira. O projeto foi tão impactante que gerou um documentário na Netflix, baseado na apresentação do trabalho no Theatro Municipal de São Paulo.
O reconhecimento internacional veio em 2020, quando Emicida conquistou seu primeiro Grammy Latino com “AmarElo”, na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. Este prêmio não apenas coroou sua carreira, mas também solidificou sua posição como um dos principais artistas do rap na América Latina.
Ao longo de sua trajetória, Emicida não apenas se destacou como rapper, mas também como um artista que utiliza sua plataforma para discutir questões sociais e culturais, sempre trazendo à tona a realidade da periferia e a luta por igualdade. Neste 41º aniversário, celebramos sua música e seu impacto na sociedade e na cultura brasileira.
