Xamã recebe Medalha Tiradentes e será professor da UERJ

Em cerimônia no quintal da avó em Sepetiba, o rapper Xamã foi condecorado pela Alerj e confirmado como professor da futura Universidade do Hip Hop, projeto da deputada Dani Monteiro na UERJ, marcando sua segunda honraria oficial em menos de dois meses.
18 de julho de 2026
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Xamã
Créditos: Reprodução

Na manhã de quinta‑feira (16), o rapper carioca Xamã foi agraciado com a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e, ainda no mesmo dia, teve sua nomeação como professor da futura Universidade do Hip Hop, iniciativa da deputada estadual Dani Monteiro na UERJ, oficializada. A dupla consagração aconteceu em menos de dois meses, depois que o artista recebeu o título de Cidadão Benemérito do Rio, concedido pela Câmara Municipal.

Cerimônia no quintal da avó, em Sepetiba

A entrega da medalha foi realizada em um cenário carregado de simbolismo: o quintal da casa da avó de Xamã, no bairro de Sepetiba, Zona Oeste do Rio. O rapper, que viveu ali até os 14 anos, escolheu o local para reforçar a conexão com suas raízes. “Fale da sua aldeia e falará do mundo. Escolhi Sepetiba, onde tudo começou”, explicou o artista durante a cerimônia, que contou com a presença de familiares, amigos e a deputada Dani Monteiro, que conduziu o evento.

A importância da Medalha Tiradentes

A Medalha Tiradentes é um dos reconhecimentos oficiais mais prestigiados do estado, destinada a personalidades que se destacam em áreas como cultura, educação e serviço à comunidade. Para Xamã, a honraria representa não apenas o reconhecimento de sua trajetória musical, mas também o impacto social de suas ações, que vão desde projetos de inclusão até a valorização da ancestralidade indígena – ele tem bisavó da etnia pataxó, nascida na Bahia.

Universidade do Hip Hop: projeto e papel de Xamã

O projeto da Universidade do Hip Hop nasce da iniciativa da deputada Dani Monteiro, que busca institucionalizar o hip‑hop como disciplina acadêmica, abordando história, produção musical, linguagem poética e questões sociais. A confirmação de Xamã como professor reforça a ponte entre a prática de rua e o ambiente universitário. Segundo a deputada, “Xamã levou o rap carioca para o Brasil inteiro sem perder a conexão com Sepetiba, com a família, com a ancestralidade e com as pessoas que construíram a história dele”.

Como docente, Xamã deverá ministrar aulas que explorem a construção de identidade nas letras, a relação entre batida e mensagem, além de discutir o papel do hip‑hop como ferramenta de resistência e mobilização. A presença de um artista que já transitou de vendedor de balas nos trens da SuperVia para Grammy Latino e atuação em séries como “Renascer”, “Justiça” e “Cangaço Novo” traz credibilidade e experiência de vida ao currículo.

Trajetória de um artista de Sepetiba

Geizon Carlos da Cruz Fernandes, nome civil de Xamã, nasceu em 1996 e dividiu sua infância entre Sepetiba e Campo Grande. Antes de conquistar o cenário nacional, trabalhou como vendedor de balas e amendoim nos trens da SuperVia, experiência que ele costuma citar como parte da formação de sua ética de trabalho. Desde 2016, a carreira de Xamã acumula prêmios como o MTV EMA, o Prêmio Multishow e uma indicação ao Grammy Latino, consolidando sua presença tanto nas paradas quanto nas discussões sobre representatividade.

Além da música, o rapper tem investido em atuação e em projetos sociais que visam levar cultura e oportunidades a jovens de periferia. Sua ascendência indígena também tem sido pauta em entrevistas, reforçando a ideia de que o hip‑hop pode ser um espaço de valorização de múltiplas identidades.

O que vem pela frente

A nomeação como professor abre um novo capítulo na vida de Xamã. A Universidade do Hip Hop ainda está em fase de estruturação, mas já conta com apoio institucional e a expectativa de iniciar as atividades ainda este ano. Para o artista, a oportunidade de ensinar representa “um jeito de devolver ao movimento tudo o que ele me deu”.

Enquanto isso, a repercussão nas redes sociais tem sido intensa. Fãs celebram a medalha e a nova função, destacando a importância de ver um representante da cena urbana ocupando espaço dentro da academia. Comentários de outros rappers ressaltam que Xamã está pavimentando um caminho que pode inspirar futuras gerações a levar o hip‑hop para além dos palcos.

Em síntese, a dupla homenagem – Medalha Tiradentes e professor na Universidade do Hip Hop – consolida Xamã como um dos principais agentes de mudança cultural do Rio de Janeiro. Seu percurso, que começou nas ruas de Sepetiba, agora se estende aos corredores da UERJ, sinalizando que a voz da periferia continua a ecoar em novos ambientes, sempre com a mesma força e autenticidade que o tornaram um ícone nacional.

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